Aldeia Global

ver comentários no Orkut, comunidade Quinzena Animada: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=23913725

11/11/2006
Caó começou a carreira desenhando em catálogos telefônicos. Um desenho em cada página, numa seqüência que, folheada, criava a sensação de movimento. A técnica é uma das mais básicas e tradicionais da área de animação e utilizada largamente por quem se imagina um dia trabalhando com desenhos, fotos ou objetos animados na tela. A maior parte das pessoas fica somente com o caderno desenhado como recordação do período, mas Caó Cruz Alves levou a história adiante e hoje é uma das referências nos trabalhos de animação na Bahia, com mais de 20 anos de experiência e 12 filmes realizados.
O artista é um dos destaques da Quinzena Animada, promovida pela Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas) da Fundação Cultural do Estado. Iniciada no Dia Internacional da Animação, 28 de outubro, a mostra vai até o dia 15 de novembro, quando serão apresentados os resultados das oficinas ministradas por profissionais experientes na área.
A realização do evento em Salvador marca a entrada da cidade na rota internacional de comemorações do Dia da Animação. Instituída em 2002, a data lembra o dia da primeira exibição do teatro ótico de Émile Reynaud, em Paris, em 1892. Essa foi a primeira experiência mundial com a projeção de imagens em movimento.
Dentro do desenvolvimento histórico das técnicas de animação, Caó destaca o surgimento dos computadores como um marco. A ferramenta é cada vez mais presente na área e mesmo animações desenhadas à mão são digitalizadas para ser editadas. "A computação deixou mais fácil a produção do filme. Mesmo quem não sabe desenhar pode produzir um filme. Basta ter uma boa idéia", diz. Mesmo com a vida mais tranqüila, Caó destaca que o processo todo ainda exige muita paciência e dedicação, devido à necessidade de se cuidar individualmente de cada quadro da imagem. E quando perguntado se vale a pena, ele não tem nenhum dúvida: "Vale e muito", diz.
A maior facilidade foi o que permitiu a Carlos Café se aproximar da técnica. "Antes, era muito difícil, em especial na Bahia, onde não havia cursos sobre o assunto". Café é um dos participantes das oficinas oferecidas pela Dimas durante a Quinzena e revela que já se arriscou na área e chegou a participar da criação de um filme no período em que morou no exterior. Sua expectativa agora é que a oficina lhe dê condições para o desenvolvimento do trabalho. Para isso, sabe que não serão suficientes as duas semanas de treinamento e troca de idéias e já pretende manter contato com outros profissionais após esse período.
Para Caó, a aproximação das pessoas que trabalham na área é um dos maiores benefícios da Quinzena. Dentro da programação, acontece ainda o lançamento do núcleo de animação da Dimas. O espaço contará com equipamentos para permitir aos artistas a criação e a finalização de seus filmes. O núcleo vem atender a uma demanda dos profissionais da área, que lamentavam a ausência de um pólo agregador dos profissionais da área. "Atualmente, temos muita gente trabalhando de forma isolada. Com o trabalho conjunto, teremos mais condições de avançar no desenvolvimento da animação no estado".
Para a organização do evento, o resultado da Quinzena é considerado positivo, especialmente devido à grande procura, tanto das oficinas quanto das sessões de exibição de filmes. A produtora executiva do evento, Carolina Braga, revela que a intenção é transformar a Quinzena num evento anual em Salvador. A iniciativa foi tão positiva que os organizadores já iniciaram as conversas para firmar parceria no próximo ano com o Festival Anima Mundi, um dos mais tradicionais da área. De acordo com Carolina, outra intenção dos organizadores é fomentar a maior profissionalização da área.
No estado, o mercado de trabalho para o profissional de animação ainda é restrito. O maior campo é na área de publicidade, com a criação de vinhetas e comerciais. Mas, para Caó, o que vale a pena mesmo é investir em projetos pessoais. "Para isso, é importante estar antenado com os festivais, onde é possível mostrar e ter o reconhecimento de seu trabalho".
E entre os profissionais da área, um dos estigmas constantemente enfrentados pelos profissionais é a associação recorrente da animação como filme infantil. Caó tem um culpado na ponta da língua: "Walt Disney", brinca. "Aos poucos as pessoas estão percebendo que a técnica pode ser utilizada para contar qualquer tipo de história, adulta ou infantil", diz. Para ele, é somente uma questão de tempo até que se desfaça essa associação automática entre a animação e o filme para crianças. Nada muito grave para quem acredita que contar histórias é desenhar em catálogos telefônicos.
Oi!
Oi, pessoal!
Aí, galera!